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#REVIVALTL08: CORAÇÃO SATÂNICO

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“Quão terrível é a sabedoria quando não traz proveito algum aos sábios”, nos avisa Louis Cyphre, lá para as tantas em Coração Satânico, o livro de William Hjortsberg recentemente re-lançado pela editora Darkside. Seu aviso é profético à narrativa, mas também a leitura, vide que a versão da Darkside, possui essa frase na primeira página, antes do primeiro capítulo. Pode-se dizer que se trata de um livro sobre uma terrível sabedoria, ou que é um livro de detetive cujo coração pulsa com sangue de horror sobrenatural, ou mesmo que é um livro sobre o Detetive Harry Angel e sua busca pelo enigmático Johnny Favorite ao serviço do ainda mais enigmático Louis Cypher. Mas, acima de tudo, Coração Satânico é um livro sobre uma cidade urbana moderna.

A cidade em questão é Nova York, (caracterizada pela prosa com todo o rigor histórico de seu esplendor decadente dos anos 50), mas isso é um fato secundário, pois essa é uma história sobre uma cidade urbana moderna, independente de qual seja. As cidades construídas sob um sistema econômico onde todos estão ocupados demais com o ganha-pão para se focar demais em qualquer coisa, ocupados demais para olhar dentro do peito da realidade para ver o coração que pulsa na sociedade.

Esse é o sistema esse que Harry Angel tem que navegar para descobrir o paradeiro de seu alvo, e esse é o sistema que nós, habitantes de centros urbanos, fazemos parte. Ao longo de sua busca, Harry é forçado a olhar dentro do metáforico peito de Nova York, e o coração satânico que ele encontra pulsando gela sua alma. Ao longo da leitura, é provável que o leitor seja forçado a fazer o mesmo em relação ao coração de sua própria cidade e do sistema que ela faz parte. Será que você quer mesmo vê-lo? A prosa ácida de Hjortsberg nos guia pela pergunta, e é uma bela viagem. Mas nunca se esqueça do aviso cordial de Louis Cypher.

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#REVIVALTL07: ENCONTRO COM RAMA

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Arthur C. Clarke é sem sombra de dúvida um dos maiores escritores de ficção científica que já existiu. É impressionante como ele constrói uma ficção que contém um diálogo com a sociedade da época. Quem leu a série Odisseia no Espaço ou assistiu ao filme pôde perceber a dualidade existente, o suspense, as disputas entre política-ciência, EUA-URSS. Em Rama, série dividida em quatro perfeitos livros encontramos o mesmo.

Num futuro próximo um meteoro atinge a em Europa matando milhares de pessoas. Os países notam o risco que a Terra corre e decidem criar meios para prevenir tais catástrofes. Cinquenta anos depois, um meteoro de comportamento anormal se aproxima da Terra – uma atitude deve ser tomada. Dividida entre os que desejam um ataque o quanto antes e os que desejam investigar, um grupo de ciências e militares é enviado.

Esse livro segue o mesmo padrão de Odisseia; o monólito dá lugar a um cilindro gigantesco que mais tarde se descobre uma nave alienígena, possuindo um ambiente próprio com lagos, jardins, clima. O suspense é marcante nesse livro, um dos mais fortes do gênero: quem criou a nave ou qual o seu propósito? São perguntas que seguem durante a leitura do início ao fim. E a cada resposta, novas perguntas aparecem, deixando a trama densa, sempre com mais informações, prendendo a atenção do leitor ao longo dos quatro volumes. A dualidade entre os que desejam investigar e os que desejam um ataque também segue.

Para quem já leu Clarke, sabe a ficção científica conversa muito com a ciência moderna, mas vale ressaltar que é um livro dos anos 70. Os conceitos científicos seguem a linha da sci-fi hard num plano de fundo misterioso, quase mágico. O final da série também pode ser considerado um ponto negativo, mas isso depende do leitor. Acredito que ele segue a ideia de mistério do livro, porém cabe a cada leitor decidir e qualquer argumentação maior sobre isso não passaria de spoiler.

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EURICO, O PRESBÍTERO: MUITO ALÉM DO SÉCULOS XXI

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20180914_102341Quando encontramos tantas coisas novas e com uma linguagem tão contemporânea, por que permitiria-mo-nos a sedução por um livro escrito há alguns séculos e com um vocabulário bem distante do nosso? Não encontro uma resposta simples para o meu questionamento. Não obstante, acredito que muitas vezes o livro encontra o leitor e não o inverso.

Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano, foi um desses casos. Ele quem me encontrou. Eu poderia estar à procura de um livro de fantasia como Senhor dos Anéis, de Tolkien, ou mesmo Crônicas de Gelo e Fogo, de R.R. Martin, mas o fato é que não estava atrás de nada, apenas olhava um Sebo pra passar o tempo e, sem pretensão alguma, peguei aquele livro editado pela Martin Claret, com pouco menos de 200 páginas, que havia sido escrito por um português em 1843 e dediquei um longo dia para sua leitura.Tal livro tratava-se de um romance épico do Romantismo português, ou mesmo uma novela histórica.

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O ÚLTIMO ADEUS [CYNTHIA HAND]

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Título Original: The Last Time
Título em Português: O Último Adeus
Autora: Cynthia Hand
Tradução: Carolina Coelho
Editora: Darkside
Ano: 2016
Páginas: 342

O Último Adeus é um livro que sempre me chamou atenção. Tive muitas oportunidades de lê-lo, mas sem sequer ter noção, acredito que a leitura dele chegou no momento certo. Não sabia do que se tratava, mas a capa me chamava atenção por algum motivo e numa dessas promoções da Amazon, acabei adquirindo-o e lendo-o assim que ele chegou em minhas mãos. Quando digo que a leitura foi feita no momento certo, é pelo fato de estarmos no #SetembroAmarelo, e esta obra trata sobre suicídio. Nunca torci tanto para um livro acabar. Me envolvi demais com os personagens, um envolvimento que não tive com Os 13 Porquês e fiquei me perguntando como seria a repercussão de um texto desses adaptado às telinhas. Não quero nem pensar. Mas talvez fosse necessário para que pudesse atingir um número maior de pessoas.

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QUERIDO JAIME

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Autor: Eduardo Lages
Editora: O Fiel Carteiro
Páginas: 97

Hoje trago-vos Querido Jaime, um livro que tocou bem fundo no meu ser. Querido Jaime é, sem dúvida, um daqueles achados impressionantes que não tão frequentemente acabo esbarrando. Não se deixe enganar: mesmo curtinho o livro tem uma carga emocional muito grande!

Eduardo Lages na Avenida Paulista

Eduardo Lages na Paulista divulgando seu filho!

O que seria uma HQ acabou se tornando um livro fantástico e cheio de lições de vida! Gostaria muito de ver essa linda obra sendo em forma de quadrinhos (rsrs).

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#REVIVALTL06: PRINCESS AI [MANGÁ]

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Criado pela cantora americana Courtney Love, pelo DJ Milky e com ilustrações de Misaho Kujiradou e a participação da renomada autora Ai Yazawa, famosa por séries como Nana e Paradise Kiss, o mangá Princess Ai foi muito comentado no seu ano de lançamento em 2005, pois muitos fatos e elementos da história fazem referência à vida de Courtney. A história acompanha Ai que acorda sozinha no meio de um lixão em Tóquio, sem lembrar de muita coisa além de seu nome, que não é da terra e que está em busca de algo.

Os traços de são lindíssimos.

Os traços de Misaho são lindíssimos.

 

Após conhecer Kent, um músico de rua, Ai revela possuir também uma grande afinidade com a música. A misteriosa garota  passa a morar com Kent e seu colega de quarto, Hikaru (que a princípio odeia Ai, por ele ser apaixonado por Kent e ver nela uma ameaça) e a trabalhar na boate Cupido, onde fica amiga de Jean, uma garota doce e sensível. Princess Ai pode não te cativar pela premissa mas a história tem um crescendo incrível que não vai te deixar abandonar o mangá até o seu último volume, que aliás é bem curtinho (apenas três edições). Ai é uma protagonista sensível, meiga e inocente que tem um desenvolvimento muito bem construído durante a trama e vai te cativar de forma quase que instantânea.

A trama mistura elementos mágicos, sobrenaturais e muita música.

A trama mistura elementos mágicos, sobrenaturais e muita música.

 

Princess Ai tem aquele gostinho de nostalgia que chega a ser quase palpável, seja pelo figurino dos personagens, seja pela ambientação no Japão dos anos 90, seja pela sua musicalidade old school. Esse mangá foi um dos primeiros que comprei na época em que eu estava entrando nessa vida de amante da cultura oriental e nunca me arrependi de te-lo feito. Deixe-se levar pela princesa Ai em sua nostálgica jornada musical de descoberta e auto-conhecimento.

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PROJETO MARVELS – O NASCIMENTO DOS SUPER-HERÓIS

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Autor ou autora: Ed Brubaker e Steve Epting. 
Tradução: Projeto Marvels – O Nascimento dos Super-Heróis.
Editora: Marvel.
Páginas: 190.
Nota: 9. 

“Como era o universo Marvel antes de existirem super-heróis?” É uma pergunta que qualquer leitor já deve ter feito em uma ocasião ou outra, e com certeza é uma pergunta que Ed Brubaker, escritor de Projeto Marvels – O Nascimento de Super-Heróis não só se fez, mas buscou responder por meio desta graphic novel publicada em 2009-2010. Também é possível já se ter imaginado “O que a Marvel publicava antes de terem super-heróis?”, e Ed Brubaker sem dúvida também buscou responder essa inquietação com Projeto Marvels: Esta é uma história melhor apreciada com um olho fixado na evolução do universo Marvel e outro fixado na história dos quadrinhos de super-herói em nosso mundo, pois esta é uma narrativa forjada por ambos. Acima de tudo, também é uma história explorando esse fascínio eterno por super-heróis que leva a tantas perguntas.

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SALEM (OU A HORA DO VAMPIRO) – STEPHEN KING

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Autor: STEPHEN KING
Tradução: THELMA MÉDICI NÓBREGA
Editora: SUMA
Páginas: 464

Continuando o projeto #LendoKing, Salém é um dos clássicos do Stephen King e ele usará alguns personagens como o Padre Callan na saga do Pistoleiro, mas vamos falar de vampiros? O enredo conta a história de Ben Mears, um escritor bem sucedido que volta a sua cidade natal, Jerusalem’s Lot, para escrever um novo livro baseando na mansão Marsten. Ele conhece uma bela jovem, Susan Norton que logo engata um romance, mas nem tudo são flores. A vinda dele coincidentemente trouxe alguns mistérios. A tal mansão Marsten que antes estava abandonada, volta a acender suas luzes e o boato na cidadezinha de que algum comércio de antiguidades começa a circular.

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